JUSTIÇA RESTAURATIVA COMO PRÁTICA EDUCATIVA NA SOCIOEDUCAÇÃO
governamentalidade e subjetivação na execução das medidas em meio aberto a partir da experiência do Nujur.
Resumo
O artigo analisa a Justiça Restaurativa como prática educativa no âmbito da socioeducação, a partir da experiência do Núcleo de Justiça Restaurativa (NUJUR) na execução das medidas socioeducativas em meio aberto. Fundamentado em referenciais pós-estruturalistas, especialmente nas contribuições de Michel Foucault, Judith Butler, Gilles Deleuze e Félix Guattari, o estudo problematiza a socioeducação como campo atravessado por dispositivos de poder, governamentalidade e processos de produção de subjetividades. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de estudo de caso, com análise documental e observação das práticas institucionais do NUJUR. Argumenta-se que a Justiça Restaurativa, longe de constituir solução redentora ou técnica neutra, opera como prática ambivalente: ao mesmo tempo em que pode reforçar racionalidades de responsabilização e normalização, também abre possibilidades de deslocamento, escuta e produção de outras formas de relação e responsabilização. A partir dessa tensão, o artigo sustenta que a dimensão educativa da Justiça Restaurativa reside menos na correção de condutas e mais na problematização das formas pelas quais sujeitos são interpelados, convocados a narrar a si mesmos e a assumir determinadas posições no campo socioeducativo.