Resumo
A pesquisa desenvolvida no doutorado em educação, tem como ponto de partida uma crítica a educação humanista, identificando-a como um dos pilares da arquitetura da sociedade ocidental, branca, heteronormativa e patriarcal. Inspirada na prática poética de Castiel Vitorino Brasileiro, artista, escritora, psicóloga, negra e travesti. A artista expande suas reflexões a partir de intimidades que as pessoas travestis e as "corpas" negras desenvolvem com outros seres que não os animais humanos. Aqui apresento um conjunto de seis trabalhos para pensar os vegetais como nossos ancestrais, como nicho inspirador e de aprendizagem: Corpoflor, Um punhado de onze horas, Novos ancestrais, Plantas que curam, Julite e Comigo-ninguém-pode. Um conjunto de performances que sustentam relações interespecíficas com as plantas. Recorro ao método das ciências da complexidade e discuto o esquecimento promovido pela modernidade de que nós somos seres em transmutação, entrelaçados com todas as espécies do planeta por meio da bioquímica. Transmutamos em todas as direções durante toda a nossa vida e para além dela. Pois a morte, nada mais é que outra fase do movimento da vida que acontece no universo de maneira contínua em ciclos alternados. Em toda a produção poética de Castiel, a presença Bantu-diaspórica e a sua prática espiritual macumbeira são pontos de partida e lentes para suas questões, revelando uma polifonia de vozes, provocando deslocamentos no pensamento por não considerar as fronteiras identitárias. Construindo imagens opacas, repletas de movimentos e transbordantes de uma poética viva que parte de suas temperaturas corporais, e de sua atenção às minúcias do cotidiano e insignificâncias, dando a entrever suas potências. Nesse jogo de escuridão e luz cria relações e produz lembretes que parecem querer desmontar as armadilhas nas quais estamos há séculos mergulhadas. Enfim, especulamos sobre a possibilidade de as práticas artísticas contribuírem no enfrentamento do desafio da superação da educação humanista. O artigo tece um percurso rizomático por entre as questões das performances selecionadas com as discussões tecidas por Conceição Almeida, Denise Ferreira da Silva, Stefano Mancuso e Donna Haraway entre outras/os autoras/es.
Biografia do Autor
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Sanzia Pinheiro Barbosa, UFRN
Sanzia Pinheiro Barbosa, doutora em educação (2025), mestre em Ciências Sociais (2002) especialização em filosofias (1997) Graduação em Pedagogia (1989) pela UFRN. Integra o Grupo de Estudos da Complexidade-GRECO e desenvolve pesquisa no campo das artes visuais. Participou de diversas comissões de seleção como o Laboratório de Artes Visuais da Escola Porto Iracema das Artes-Fortaleza/CE (2019/2020); ocupação do Hotel Globo e Casarão 34 em Joao Pessoa/PB (2022). Integrou o comitê curatorial do Programa Rumos Visuais/Itaú Cultural, participando da montagem de duas exposições (Itaú Cultural/ SP e Museu de Arte Contemporânea/SC (2011/2013); Membra do Colegiado de Artes Visuais-Minc, participando da elaboração do Plano Nacional de Artes Visuais (2010/2012). Realizou diversas curadorias dentre elas: Maré Foto Festival (2025/2024); Poética Protética individual de Carolina Teixeira. Galeria Conviv’Art /UFRN (2019/2021); Círculo do Tempo individual de Falves Silva e Desígnio e individual de Jota Medeiros, ambas no Centro Cultural São Paulo-CCSP (2016/2017), Tornar-se Outro coletiva patrocinada pelo Centro Cultural Banco do Nordeste_CCBNB (2023). Fez os seguintes cursos livre: Catalogação de acervos artístico no Núcleo de Arte e Cultura da UFRN/2014 com Cristina Freire; Cadernos de Notas Práticas nº 01 no Museu Murilo La Greca 2010 Recife/PE com Marcio Harum; História da Arte Brasileira no Museu de arte Contemporânea do Ceará 2006 Fortaleza/CE com Paulo Reis; Tão Sério Quanto o Prazer no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, 2005 Fortaleza/CE com Chuz Martinez; Quem Tem Medo de Arte Contemporânea? na Fundação Joaquim Nabuco, 2003 Recife/PE com Fernando Cocchiarale.
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Maria da Conceição de Almeida, UFRN
Professora Titular do Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação do Centro de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desde maio de 2010. Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992). Mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1979). Graduada em Sociologia e Politica pela Fundação Jose Augusto (1972). Coordenadora do Grupo de Estudos da Complexidade, primeiro ponto brasileiro da Cátedra itinerante Unesco "Edgar Morin" na UFRN. Colaboradora e consultora da Multiversidad Mundo Real Edgar Morin. Membro da Cátedra itinerante Unesco "Edgar Morin" - Universidad Del Salvador/Instituto Internacional para o Pensamento Complexo. Membro da Associação Internacional para o Pensamento Complexo. Membro do Comitê Científico Internacional - Universidad de Valladolid. Membro do Conselho Editorial das revistas: Famecos - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Cronos - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais- UFRN; Educação em Questão - PPGEd/UFRN. Coordenadora da Coleção Baobá e Coleção Saberes da Tradição. Tutora de Doutorado de Pós-Grade em Educação com Enfoque em Complexidade e Transdisciplinaridade na Escuela Militar de Ingenieria nas cidades de Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e La Paz. Tem experiência na área de antropologia e complexidade, com ênfase em Epistemologia, atuando principalmente nos seguintes temas: complexidade, educação, cultura, ciência e conhecimento. (Texto informado pelo autor)